segunda-feira, 7 de junho de 2010

1.6- O caso da Bienal (2008)

Veja o vídeo abaixo:















Atividade Final


Levando em conta todas as discussões que foram feitas até agora, faça um texto analisando a notícia que você acabou de ver, considerando os seguintes pontos:
- Como a reportagem constrói a imagens dos pichadores?
- Que tipo de efeito a reportagem espera provocar nos expectadores?
- Essa notícia é uma notícia da Rede Globo, uma veículo de mídia hegemônico, isso quer dizer, que tem o poder de formar opiniões e ditar "verdades", que são aceitas pela maior parte das pessoas. Dessa forma, você deverá pesquisar outras interpretações sobre esse mesmo fato, procure por notícias de outras mídias, críticas que circulam na internet, comunidades que discutiram esse assunto, em suma, outras informações e pontos de vista que o ajudem a elaborar a sua crítica.
- Pergunte a opinião das pessoas sobre o assunto, seus pais, amigos etc. Qual a diferença dessas opiniões entre elas e entre as que são veículadas nos meio de comunicação? Pergunte-se sobre o alcance que a interpretação da mídia hegemônica (nesse caso, a Globo) tem sobre as pessoas.
- O que esse discussão tem a ver com a discussão sobre capitalismo?
- Qual é a sua opinião sobre o assunto? Depois de tudo o que você pesquisou, o que VOCÊ acha da ação dos pichadores, da polícia, dos artistas e da equipe jornalística que cobriu o fato?


O texto que você e seus colegas vão elaborar serão o tema da próxima aula. Nela vocês deverão debater esse tema a partir das conclusões e opiniões de todos os colegas.

A última tarefa da atividade será pensar formar de transmitir outras interpretações sobre o acontecido. Que veículo de expressão e comunicação você e seus colegas podem utilizar para transmitir informações diferentes do que essas que a mídia hegemônica nos transmite todos os dias?


Quer estudar mais sobre esse assunto? Confira aqui os textos que foram utilizados para a elaboração desse material.
Divirtam-se!
Até mais.

domingo, 6 de junho de 2010

1.5- O questionamento da Arte

Como definir a arte? Como você acha que a pintura mural de Banksy que está reproduzida acima ajuda a responder essa pergunta?
A imagem mostra um pintor classico, utilizando materiais tradicionais de pintura, paleta, tintas e pincel, com roupas também reconhecidas como roupas tradicionais. Só que a sua pintura não é clássica, muito pelo contrário, ele está pintanto pichações vulgares, elementos que não são normalmente considerados artisticos, mas sim resultados de ações de vândalos. O que Banksy quer mostrar é que não podem existir limites pré-concebidos para se afirmar o que é arte e o que não é. Esses limites nos são dados por padrões estéticos que mudam de acordo com as diferentes relações de poder. Por exemplo, até meados do século XIX, a pintura considerada verdadeiramente artística era a que mais se aproximasse de um retrato da realidade e a que se utilizasse de técnicas mais aprimoradas. Esse padrão estético era sustentado por pintores da elite na Europa e era reproduzido nas nobres academias de pintura. A partir do século XIX e principalmente ao longo do século XX esse modelo foi contestado por diversas correntes artísticas que tentavam introduzir o elemento subjetivo na arte, ou seja, a criação pessoal e não somente a técnica ensinada nas academias. Algumas dessas correntes foram formadas por artistas que hoje são considerados geniais como Van Gogh e Picasso, por exemplo.
A definição de arte passa sempre por uma disputa política. Vamos pensar na questão do hip-hop. O hip-hop é um conjunto de expressões que compreeendem a pintura ,(grafiti) a dança ,(break) a música e a poesia (rap). Por muito tempo o hip-hop, cultura praticada por moradores de periferia, pobres e em sua maioria negros, foi uma cultura marginalizada, muitas vezes considerada até criminosa. Mas nos últimos anos, principalmente da década de 90 pra cá, o hip-hop vem conseguinto se firmar publicamente como legitima expressão artistica daquelas pessoas. Isso vem sendo conquistado por vários fatores, entre eles:
- a luta política desse setores mais excluidos da sociedade para conquistarem espaço e para fazerem sua voz ser ouvida pelas pessoas que constumam tratá-los de forma excludente;
- um movimento de reorganização do capitalismo, que passa a aceitar o hip-hop como arte primeiro para apaziguar as pressões sociais vindas de seus praticantes e segundo para transformá-lo também em mercadoria.
Mas por quê o grafite conseguiu conquistar o status de arte - não em todos os lugares, é claro - e a pichação não? Porque os pichadores depredam o patrimônio público e privado? Mas qual é a diferença entre uma parede branca e uma parede pichada? Poluição visual? Mas e as propagandas espalhadas pela cidade, elas também não poluem visualmente? O que está em questão é então o valor estético que é também um valor político. Toda a ação que provoca alterações estéticas no meio provoca uma reação nas pessoas que vivem nele. Dessa forma, qualque intervenção estética pode ser considerada uma ação artística ao mesmo que é uma ação política, por ser um veículo de expressão de uma pessoa ou de um grupo de poessoas.

Atividade

1.4- O questionamento da política.

A compreensão de que o poder que mantém o capitalismo está espalhado por todos os lugares da sociedade levou a pensar duas coisas:
1- que o sistema capitalista não se mantém somente sobre uma relação de exploração do trabalhador. Ele se mantém através das relações que nós mantemos uns com os outros. Relações que são infuenciadas pelas regras das instituições nas quais passamos parte de nossas vidas e pela sociedade de consumo da qual fazemos parte.
2- As formas de fazer política também estão em diversos níveis de ações. Há política até nas relações cotidianas. É no cotidiano que se exerce a política capitalista e é no cotidiano que se luta contra essa política.
Nesse sentido, a pintura, o teatro, a música, a dança, mas também o grafiti, a pichação passam a ser consideradas ações políticas. Você já se perguntou porque as pichações são criminalizadas pela sociedade? Por que a polícia deve punir os que a praticam? Por que os pichadores são considerados vândalos e criminosos por sujarem as paredes da cidade.
O desenho acima mostra um jovem em posição de lançar um coquetel molotov (arma inceidiária caseira), ação que é um símbolo das manifestações estudantis de maio de 68. No entanto o jovem atira flores, as flores são a sua arma. É possível entender desse desenho que a arte é uma arma dos combatentes do sistema dos dias de hoje. Pois a arte não mata nem fere, mas ela é um veículo poderoso para questionar a sociedade, e assim a fazer repensar seus valores. Por isso o escritor Hakim Bey chama esse tipo de ação política de Terrorismo Poético.

Atividade

1.3- Mercado Global

Você já deve ter ouvido falar vária vezes da palavra "mercado", em jornais, revistas, discursos políticos, ela está sempre presente. Mas o que quer dizer mercado? O mercado é o lugar virtual aonde circulam todas as economias do mundo, tudo o que é produzido, vendido, comprado, exportado e importado converge no mercado financeiro. Hoje em dia tudo o que se produz tem valor de mercado, tudo o que consumimos gera lucro para alguém: comida, água, energia elétrica, material escolar, livros, roupas, tudo o que precisamos para viver, para nos divertir e mesmo para "lutarmos contra o sistema" precisa ser comprado, isso significa que a nossa propria ação no mundo contribui para manter o sistema: vivemos do mercado e o mecado vive de nós.
Como foi dito, o capitalismo atual transforma tudo em mercadoria. O capitalismo permite até mesmo manifestações contra o capitalismo, porque aprendeu a lucrar com elas. É essa a crítica que está colocada na imagem acima. Um garoto punk abre uma caixa que contém "slogans de graffiti tamanho grande". São slogans contra o sistema, contra a polícia, contra o dinheiro, que aparecem pichados na parede. O sistema vende ao manifestante as ferramentas de protesto contra ele mesmo. O exemplo mais conhecido desse movimento é o de pessoas quem compram camisetas com a estampa do líder comunista Che Guevara.

Atividade

1.2- Sistemas de Vigilância

A pichação acima também foi feita por Banksy, a frase diz para a câmera de segurança: "O que você está olhando?". Londres é a cidade que tem o maior sistema de câmeras de segurança no mundo. Hoje em dia esse sistema de vigilância é utilizado em todos os centros urbanos. Mas quando ele surgiu, e a quem ele garante segurança?
Para Michel Foucault, o sistema de vigilância é prórprio das sociedades disciplinares, ele começa como um mecanismo dos sistemas de punição modernos:
Até o século XVIII, na Europa, a principal forma de punir os crimes era com punições exemplares: os tribunais da Igreja ou do rei, quando condenavam uma pessoa, o executavam publicamente, depois de uma longa sessão de torturas, para que ele sevisse de exemplo para que outras pessoas não cometessem o mesmo crime. Mas o que se começa a perceber a partir do século XVII é o surgimento de um outro tipo de punição: as prisões. A lógica passa a ser a de isolar e vigiar o indíviduo que comprometa o bom ordenamento da sociedade, melhor ainda se se puder consertá-lo, fazendo com que aja de acordo com as regras. Esse tipo de adestramento social passa a ser cada vez mais eficiente no decorrer do desenvolvimento da sociedade capitalista. As pessoas são cercadas e submetidas ao cumprimento de uma disciplina desce cedo em instituições que moldam seu comportamento. A vida das pessoas nas instituções começa na escola, depois passa para o exército, depois para a fábrica e se em nenhuma delas a pessoa seguir o comportamento adequado, ela pode ser enviada para outras instituições responsáveis por isolar os indivíduos "perigosos" da sociedade, as prisões, os manicômios etc.
O que percebemos nesse movimento histórico é que o controle da sociedade passa a ser cada vez mais descentralizado para que funcione melhor.
Hoje em dia, a função de vigiar as pessoas está cada vez mais dividida entre todos nós. Se antes a vigilância se dava dentro dos muros das instituições, hoje ela se da em quase todos os espaços por onde circulamos.
Pense, por exemplo, por quantos espaços você circula onde você é recebido por uma placa que diz "Sorria, você está sendo filmado!". A mídia é capaz de vigiar os espaços mais diversos. Muitas pessoas já dispões de celulares com câmeras. Os sistemas de gps são utilizados por pais preocupados que querem saber a localização exata de seus filhos. Sites de relacionamento como o Orkut e o Facebook dispõe os dados pessoais e as conversas das pessoas na rede mundial de computadores, para que qualquer um tenha acesso. As pessoas vêm utilizando crescentemente o Twitter para informar aos outros tudo o que fazem. Esse sistema de vigilância que é exercido por todos nós é uma característica de um novo tempo, de uma nova sociedade, que o filósofo Gilles Deleuze vai chamar de Sociedade de Controle. A Sociedade de Controle, para um série de teóricos que seguem esse pensador, está tomando o lugar da Sociedade Disciplinar na organização do mundo. Essa forma de organização se caracteriza por vários pontos, entre eles:
1- O apagamento das fronteiras entre as nações pela economia mundial; o "mercado" passa a gerenciar a a economia e a política entre todos os países.
2- A noção de uma "lógica empresarial" contaminando todas as relações sociais. Isso quer dizer que a competitividade e os beneficios meritocráticos são incentivados em quase todos os espaços de convivência: Na escola você é incentivado a competir com seus colegar por melhores notas. Sua melhor posição em relação a outros estudantes na hora do vestibular te garante talvez uma posição social privilegiada, estamos sempre concorrendo com os outros pelo nosso sucesso pessoal.
3- A mídia e a propaganda como os principais instrumento de controle social, produzindo desejos consumistas em direção a certos padrões.
4- A micro-vigilância, quer dizer, a vigilância exercida por todos sobre todos, em espaços cada vez menores e mais próximos da privacidade das relações.

Atividade

1.1- A exclusão do Diferente


Esta pintura de Banksy não está em uma parede qualquer. Ela se encontra no muro que separa Israel da Palestina, do lado da Palestina. Banksy mostra duas crianças brincando felizes atravéz de um buraco feito no muro, como se do outro lado existisse um paraíso inacessível aos palestinos. Os conflitos entre Palestina e Israel se arrasta desde a fundação do estado de Israel, após a 2ª Guerra Mundial. O território de Israel é considerado terra sagrada para três religiões: cristãos, judeus e muçulmanos. Foi considerado, por ser o território da origem biblica dos povos judeus, o lugar ideal para abrigá-los após as perseguições que sofreram com o nazismo alemão. Acontece que esse território já abrigava povos muçulmanos há mais de 1000 anos. Ao longo de mais de 50 anos de conflitos, Israel conseguiu reduzir os palestinos à menor parte da território: do lado de Israel, um exército altamente treinado e fortemente equipado, com o apoio dos Estados Unidos; do lado da Palestina, organizações com armamento bastante inferior, no entanto, considerados terroristas. Desde 2002 o governo de Israel está erguendo uma muralha para impedir que os palestinos da Cisjordânia transitem por Israel.
A estratégia de cercar os diferentes remonta às sociedades disciplinares, conceito criado pelo filísofo Michel Foucault. As sociedades disciplinares existem segundo um princípio de que tudo que desvia de um padrão de normalidade historicamente construido é considerado perigoso, devendo ser eliminado, corrigido ou excluído do contato com os "normais".
-Isso aconteceu na Alemanha Nazista, onde a defesa de um padrão genético e ideológico puramente ariano legitimou a perseguição e o extermínio de milhões de judeus, mas também de negros, homossexuais, deficentes físicos, militantes comunistas etc;
-Isso aconteceu na África do Sul, quando era governada pela Inglaterra, que impunha a segregação social entre brancos e negros;
-Isso acontece em Israel, onde o rótulo de fanáticos religiosos e terroristas dado ao povos árabes que lá habitam legitimam o controle e o lento extermínio desses palestinos pelo Estado israelense;
-Isso acontece na sua escola, quando um colega de sala é excluído das rodinhas de conversas e é constantemente zuado por ser gordo, ou por ter trejeitos afeminados por exemplo.
Mas como esses padrões de normalidade são construídos?
-A medicina, a partir do século XVIII, começa a servir para nomear um tipo físico normal, nomeando também os que desviam dessa norma, caracterizando-os como doentes, os deficientes;
-A psiquiatria é a responsável por classificar o ideal de normalidade mental, sendo os sujeitos que não se encaixam nesse ideal, considerados loucos ou anormais;
-O direito nomeia as normas de conduta dos sujeitos normais através das leis, sendo aquele que não as cumpre, um criminoso.
Como vimos, esses padrões de normalidade passam a ser reproduzidos nas escolas, nas famílias, tornando-se cada vez mais verdades aceitas por todos, o que faz com que todos tomem posturas repressoras em relação aos que são diferentes.
Hoje em dia, a ciência e a justiça continuam a definir padrões de normalidade, mas talvez o veículo mais poderoso de criação e sustentação desse padrões tenha se tornado a televisão. Ao longo de toda a programação televisiva são lançados ideais morais, de comportamento, de status social e de beleza. A eficiência da mídia em moldar padrões de comportamento se materializa no comportamento das pessoas enquanto consumidoras, tendemos a comprar a nossa felicidade consumindo aquilo que a propaganda, as novelas e os telejornais nos mostram como positivo. Dessa forma, mais perto estamos de ser uma "pessoa normal", quando temos o último i-pod, o último célular, as roupas de tal personagem, o corpo de tal atriz, as gírias de tal humorista... quanto mais nos aproximamos desses padrões, mais populares somos, e quanto mais nos afastamos deles, mais somos excluídos do convívio social.
É por isso que Banksy mostra o muro quebrado da Palestina como motivo de alegria. Além de fazer a crítica a situação particular de opressão vivida pelo povo paestino, podemos interpretar o desenho de Banksy como querendo dizer que as paredes que existem entre as pessoas, essas paredes que são erguidas pelos padrões de normalidade, pelas leis, pelas diferenças étnicas e sociais, pelos mecanismos de exclusão, essas paredes devem ser derrubadas, pois nos fim somos todos iguais, exatamente por semos todos diferentes.

Atividade

1- Capitalismo contemporâneo

Capitalismo. É o nome que damos ao sistema econômico que vigora em quase todos os países do mundo atualmente. Como tudo que é produzido pela humanidade, esse sistema têm uma história, quer dizer, ele não existe desde sempre. Alguns historiadores afirmam que ele começou com a acumulação de capitais dos países europeus iniciada no final do século XV, com as grandes navegações. Outros afirmam que o capitalismo que conhecemos começou com a Revolução Industrial do século XVIII, que possibilitou a produção de mercadorias em larga escala e otimizou o transporte. O maior estudo feito sobre o capitalismo até hoje é de Karl Marx, em seu livro O Capital. Quando ele escreveu, no século XIX, ele achava que o capialismo só seria superado pela união da classe trabalhadora.
No entando, o capitalismo se transformou muito de lá até aqui. A televisão, a robotização da indústria, o rapido avanço da tecnologia, a internet, o consumismo, o mercado financeiro e muitos outros fatores, fortaleceram o capitalismo no mundo todo e deixou muito menos clara a opressão de uma classe sobre a outra.
Veja a imagem acima, trata-se de uma intervenção artística feita por Banksy. Ele pegou uma foto histórica (veja abaixo) e a transformou numa crítica social atual. O que será que Banksy quis dizer? A foto original é da Guerra do Vietnã (1959-1975) e se tornou um símbolo da crueldade da luta entre o capitalismo defendido pelos EUA e o socialismo da União Soviética (o Vietnã era apoiado pela União Soviética). A imagem de Banksy mostra dois ícones da cultura estadunidense - o Mickey Mouse e o mascote do McDonalds - carregando a garota vietnamita que fugia de um bombardeio. O Mickey e Ronald McDonald são símbolos do estilo de vida estadunidense. Mickey representa o entretenimento de massas, a indústria do cinema, a transformação da arte em espetáculo, em produtos que são consumidos rapidamente, com o intúito de distrair e não de provocar refexões. Ronald McDonald representa o consumismo, o fast-food. Esses dois símbolos se tornaram universais, ou seja, são reconhecidos por qualquer pessoa em qualque lugar do mundo, o que significa que é uma cultura que conseguiu se tornar hegemônica. De acordo com a imagem, o capitalismo se impõe violentamente sobre todas as culturas, no entanto, sem que percebamos essa violência. Devemos então discutir o que é esse sistema capitalista contemporâneo, e por que nós o aceitamos e o reproduzimos tão bem.

Atividade