-Isso aconteceu na Alemanha Nazista, onde a defesa de um padrão genético e ideológico puramente ariano legitimou a perseguição e o extermínio de milhões de judeus, mas também de negros, homossexuais, deficentes físicos, militantes comunistas etc;
-Isso aconteceu na África do Sul, quando era governada pela Inglaterra, que impunha a segregação social entre brancos e negros;
-Isso acontece em Israel, onde o rótulo de fanáticos religiosos e terroristas dado ao povos árabes que lá habitam legitimam o controle e o lento extermínio desses palestinos pelo Estado israelense;
-Isso acontece na sua escola, quando um colega de sala é excluído das rodinhas de conversas e é constantemente zuado por ser gordo, ou por ter trejeitos afeminados por exemplo.
Mas como esses padrões de normalidade são construídos?
-A medicina, a partir do século XVIII, começa a servir para nomear um tipo físico normal, nomeando também os que desviam dessa norma, caracterizando-os como doentes, os deficientes;
-A psiquiatria é a responsável por classificar o ideal de normalidade mental, sendo os sujeitos que não se encaixam nesse ideal, considerados loucos ou anormais;
-O direito nomeia as normas de conduta dos sujeitos normais através das leis, sendo aquele que não as cumpre, um criminoso.
Como vimos, esses padrões de normalidade passam a ser reproduzidos nas escolas, nas famílias, tornando-se cada vez mais verdades aceitas por todos, o que faz com que todos tomem posturas repressoras em relação aos que são diferentes.
Hoje em dia, a ciência e a justiça continuam a definir padrões de normalidade, mas talvez o veículo mais poderoso de criação e sustentação desse padrões tenha se tornado a televisão. Ao longo de toda a programação televisiva são lançados ideais morais, de comportamento, de status social e de beleza. A eficiência da mídia em moldar padrões de comportamento se materializa no comportamento das pessoas enquanto consumidoras, tendemos a comprar a nossa felicidade consumindo aquilo que a propaganda, as novelas e os telejornais nos mostram como positivo. Dessa forma, mais perto estamos de ser uma "pessoa normal", quando temos o último i-pod, o último célular, as roupas de tal personagem, o corpo de tal atriz, as gírias de tal humorista... quanto mais nos aproximamos desses padrões, mais populares somos, e quanto mais nos afastamos deles, mais somos excluídos do convívio social.
É por isso que Banksy mostra o muro quebrado da Palestina como motivo de alegria. Além de fazer a crítica a situação particular de opressão vivida pelo povo paestino, podemos interpretar o desenho de Banksy como querendo dizer que as paredes que existem entre as pessoas, essas paredes que são erguidas pelos padrões de normalidade, pelas leis, pelas diferenças étnicas e sociais, pelos mecanismos de exclusão, essas paredes devem ser derrubadas, pois nos fim somos todos iguais, exatamente por semos todos diferentes.
Atividade

Nenhum comentário:
Postar um comentário